Desenvolvimento
A Psicomotricidade na Infância
O primeiro objeto percebido pela criança é o seu próprio corpo, através das sensações de satisfação e desprazeres, dor, mobilizações, sensações visuais, auditivas, entre outras. Assim,o corpo vai ser utilizado como meio de ação, de conhecimento e de relação com os outros.
A Psicomotricidade utiliza o corpo em movimento como meio de relação consigo própria criança, com o outro psicomotricista e com o envolvimento falamos do espaço, do tempo e dos objectos.
No período da primeira infância domina a exploração sensorio-motora como forma privilegiada para estimular o desenvolvimento da atividade perceptiva e da atividade simbólica e conceitual. Nesta etapa de desenvolvimento é muito importante a valorização das ações da criança e o incentivo à exploração de todas as formas possíveis de expressão, expressão motora, gráfica, verbal, sonora, plástica, ...
Na sua vertente preventiva, a Psicomotricidade, procura promover e estimular o desenvolvimento, incluindo a melhoria/manutenção de competências de autonomia ao longo de todas as fases da vida de um indivíduo.
Na infância a Psicomotricidade vai potencializar o desenvolvimento da função simbólica; o desenvolvimento de habilidades corporais como o equilíbrio, coordenação, dissociação, orientação espacial e temporal devendo-se, para tal, praticar uma ação pedagógica desinibidora, que proporcione situações receptivas, seguras e gratificantes; e a elaboração da noção corporal, uma vez que com um melhor entendimento sobre si mesma, a criança capacita-se para uma melhor compreensão em relação às outras pessoas e ao seu ambiente/envolvimento.
Pode recorrer-se a jogos de exercício, funcionais ou motores, com função de harmonizar os gestos e aumentar a sua eficácia; jogos simbólicos ou de imaginação, que favorecem a passagem do nível sensório-motor ao nível da representação; jogos de construção, que têm a sua fonte nos jogos simbólicos e evoluem para uma adaptação mais precisa à realidade; jogos de regras caracterizados por determinadas obrigações comuns permitindo o desenvolvimento da cooperação.
O objetivo da prática de Psicomotricidade centra-se na globalidade da criança, tendo em conta quer os aspectos funcionais quer os relacionais. Daí que a prática de uma educação Psicomotora desde cedo tenderá a aumentar o potencial físico, inteletual e afetivo das crianças.
Brincar e Desenvolvimento da Linguagem
A Linguagem é uma característica inerente a todo o ser humano.
Não é um processo estanque; pelo contrário; é um processo que está em constante evolução e que está dependente da interacção e da estimulação do meio social envolvente. Toda a criança deve ser estimulada desde muito pequena. Assim, para que a criança tenha a capacidade de adquirir e desenvolver a Linguagem Oral, é imprescindível a transmissão de estímulos; por parte dos pais; de forma adequada. São estes estímulos que vão proporcionar um bom desenvolvimento infantil.
Desta forma, considera-se que as crianças precisam, efetivamente, de oportunidades para verbalizar, discutir, colocar questões sobre aquilo que experimentam no seu mundo. É assim importante que as crianças sejam estimuladas muito precocemente a comunicar e uma das formas de comunicar com as crianças é brincando com elas. As brincadeiras que nós adultos consideramos por vezes "patéticas", como o faz-de-conta, são de grande importância para as crianças: promovem o desenvolvimento cognitivo, linguístico e social.
Com o "jogo simbólico" a criança não só aprende a explorar e a entender o mundo que a rodeia como também promove o desenvolvimento motor (a criança salta, corre, dança…), testa algumas funções sociais (quando brinca "aos médicos"), adquire regras sociais como o ganhar ou perder.
O brincar estimula não só a aquisição e o desenvolvimento da linguagem como também a interação, a relação, o contato e a troca de experiências com outras crianças.
Aos pais, cabe um papel de extrema importância: estimular a criança a brincar, a explorar o que a rodeia. Muitas vezes, os pais tentam impedir as brincadeiras dos filhos movidos, muitas vezes, pelo excesso de trabalho que a vida atual exige. Estão muito centrados na arrumação e organização da sua casa porque não há tempo para andar sempre a colocar os brinquedos nos lugares corretos. Apesar de ser difícil controlar as crianças para que não tenham os brinquedos espalhados um pouco por toda a parte, não devem impedi-las de brincar. Ao brincar estão, ao mesmo tempo, a comunicar com ela.
Comunicar a brincar…As crianças dão sentido ao que está à sua volta. Ganham experiências que as ajudam a saber estar e agir no mundo que as rodeia.
Falar com o seu filho - Expressões mais comuns
Assim que os filhos demonstram compreender a linguagem oral (mesmo quando ainda não a reproduzem eficazmente) existem expressões muito comuns que os pais utilizam face a situações diárias de interação com eles.
Ouvidas pela criança desde muito cedo (cerca de 1 Ano até à idade Pré – escolar) aqui estão algumas das frases mais utilizadas por pais e educadores e da sua “eficácia”.
“Pára já de chorar!”
A “ordem” para uma criança parar de chorar é logicamente inútil e tem normalmente o efeito contrário: o choro aumenta de intensidade perante o desagrado dos pais. O choro na criança deve ser entendido como uma descarga emotiva que tal como todas as emoções não pára repentinamente. Se a criança chorar durante algum tempo ou com muita intensidade não lhe grite, fale com calma, se puder leve-a para uma ambiente sereno e/ou abrace-a para acalmar a ansiedade que a criança possa estar a sentir. Não deve ceder numa situação de “birra”, transmita firmeza e segurança controlando a sua irritação e possível manifestação de agressividade verbal.
“Não suba aí que você vai cair”
Assim que a sua destreza motora o permite a criança tem normalmente muita energia e por vezes a vontade de empreender “escaladas perigosas”, por isso esta é uma frase muito ouvida. É uma expressão funcional se tem como objetivo alertar para um perigo real de queda, no entanto não deve ser utilizada excessivamente como forma de super proteger a criança.
“A mamãe vai sentir saudades ”
Esta é uma expressão muito comum usada na despedida quando o bebê fica com a ama, com os avós e/ou no berçário. É uma forma de expressar o amor materno, porém não é a mais positiva porque está a transmitir à criança a idéia que esta vai causar tristeza na mãe. A criança porque é sensível aos sentimentos da mãe pode sentir-se angustiada até ao ponto de recusar-se a sair para algum lado sem a presença da mãe.
“Se não parar quieto vou chamar o “ bicho papão”
Este é um exemplo de frase que não é eficaz como medida de autoridade e deve ser evitada. Ir chamar “ o bicho papão, a polícia, o lobo mau, o cão mau, o velho do saco” são expressões tradicionais que devem ser evitadas porque só vão desenvolver medos na criança que depois podem ser difíceis de ultrapassar. O seu filho pode aprender a criar defesas contra estas figuras imaginárias mas também pode não o conseguir fazer e desenvolver fobias (medos ilógicos e incontroláveis).
“Vai ver quando o teu pai chegar!”
Esta é uma expressão não aconselhável para o seu papel de mãe pois está a dizer ao seu filho que é incapaz de lhe dar regras, de o educar. Ao passar o papel de autoridade para o pai na ausência deste, está a desautorizar-se a si própria e também a rodear a figura paterna de medos inúteis.
" Vamos depressa filho”
Presentemente a maioria dos pais leva uma vida “agitada” com vários horários para cumprir durante o dia. Este movimento diário reflete-se na vida da criança de uma forma habitualmente negativa criando-lhes ansiedade. Por favor reflita na gestão do seu tempo diário e tente perceber-se aquilo que pode alterar para não exigir demasiado do seu filho em termos de ritmo quotidiano
